04 | 09 | 2026
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A parentalidade positiva não significa permitir que a criança faça tudo o que deseja ou crescer sem regras. A abordagem propõe educar com afeto, diálogo e limites claros, substituindo ameaças, humilhações e práticas violentas por relações baseadas em escuta, segurança emocional e orientação consistente.
No Brasil, a Lei nº 14.826/2024 instituiu a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias de prevenção à violência contra crianças. A legislação reconhece aspectos como apoio emocional, estímulo à autonomia e educação não violenta.
Mas como levar esses princípios para situações comuns, como uma birra, o descumprimento de uma regra ou uma conversa difícil? Continue a leitura para conhecer essa abordagem e formas de aplicá-la no cotidiano.
A parentalidade positiva é uma forma de educar baseada em diálogo, vínculo, orientação e limites consistentes, considerando a criança como um sujeito de direitos e em desenvolvimento.
Isso não elimina a autoridade dos responsáveis. A proposta é orientar comportamentos e estabelecer limites sem recorrer a castigos físicos, ameaças ou situações humilhantes.
A própria Lei nº 14.826/2024 define a parentalidade positiva como um processo desenvolvido pelas famílias na educação das crianças, fundamentado no respeito, no acolhimento e na não violência.
Os princípios da parentalidade positiva ajudam a construir uma relação na qual a criança encontra segurança para aprender e se desenvolver. São elas:
Respeitar a criança significa considerar suas necessidades e seu estágio de desenvolvimento, sem deixar de exercer o papel de orientação.
O acolhimento cria espaço para conversar sobre comportamentos inadequados sem atacar ou diminuir a criança.
Escutar com atenção ajuda a compreender o que está por trás de determinados comportamentos.
Validar uma emoção não significa concordar com qualquer atitude: é possível reconhecer que a criança está com raiva ou frustrada e, ao mesmo tempo, explicar que determinado comportamento não é aceitável.
A parentalidade positiva também envolve regras.
Limites claros ajudam a criança a compreender o que pode ou não fazer e quais comportamentos são esperados em diferentes situações.
Em vez de usar medo, humilhação ou agressões para conseguir obediência, a disciplina positiva busca ensinar.
Isso envolve explicar regras, conversar sobre consequências e orientar a criança para que ela compreenda seus atos.
Permitir pequenas escolhas adequadas à idade ajuda a criança a desenvolver autonomia.
Guardar os próprios brinquedos, participar de tarefas simples ou escolher entre opções oferecidas pelos responsáveis são formas de aprender gradualmente sobre responsabilidade.
Não. Parentalidade positiva não é o mesmo que educação permissiva, pois prevê regras, orientação e limites coerentes. A diferença está principalmente na maneira como esses limites são estabelecidos.
Na educação permissiva, pode haver dificuldade em sustentar regras ou consequências. Já na parentalidade positiva, o adulto mantém sua responsabilidade de orientar, mas procura fazer isso por meio do diálogo, do respeito e de práticas não violentas.
Praticar a parentalidade positiva no dia a dia significa educar com respeito, firmeza e diálogo, transformando situações comuns em oportunidades de aprendizagem.
O objetivo é orientar a criança sem recorrer à violência, mantendo limites compatíveis com sua idade e desenvolvimento.
Antes de corrigir uma atitude, tente compreender o que aconteceu. Perguntar e ouvir pode revelar cansaço, medo, frustração ou dificuldades que ajudam a explicar o comportamento.
Em vez de apenas dizer “não”, explique o motivo da regra de maneira adequada à idade. Consequências relacionadas ao comportamento ajudam a criança a compreender melhor a relação entre escolhas e responsabilidades.
Ensinar palavras para sentimentos como raiva, tristeza, medo e frustração ajuda a criança a comunicar o que sente. Aos poucos, ela pode aprender maneiras mais adequadas de expressar essas emoções.
Quando possível, envolva a criança na solução. Perguntas como “o que podemos fazer diferente da próxima vez?” estimulam reflexão, responsabilidade e participação.
Crianças também aprendem observando os adultos. Se os responsáveis desejam ensinar respeito, diálogo e autocontrole, é importante procurar demonstrar essas atitudes nas próprias relações familiares.
A parentalidade positiva não exige respostas perfeitas para todas as situações. Ela propõe construir relações em que afeto, orientação e limites possam coexistir, considerando as necessidades da criança e a responsabilidade dos adultos por sua educação.
A forma como a família se comunica tem papel importante nesse processo. Para aprofundar o tema, confira o conteúdo da Crescer Sempre “Comunicação Não-violenta: por que aplicá-la com seus filhos?” e conheça estratégias para construir diálogos mais respeitosos no dia a dia.
O adulto pode reconhecer a emoção da criança, ajudar a nomeá-la e manter a regra estabelecida sem gritar, ameaçar ou humilhar. Isso não significa ceder ao comportamento: sentimentos são permitidos, mas algumas atitudes precisam ser orientadas de forma respeitosa e coerente.
Sim, mas a aplicação muda de forma. Com adolescentes, o diálogo ganha mais peso do que a explicação direta usada com crianças pequenas: envolve negociar limites, ampliar a participação nas decisões e responsabilizar o jovem pelas próprias escolhas, mantendo regras claras sobre segurança e convivência.
O ideal é conversar longe da criança e buscar regras básicas que possam ser mantidas com consistência por todos. Diferenças pontuais são naturais, mas mensagens contraditórias frequentes podem dificultar a compreensão dos limites. A parentalidade positiva também valoriza a comunicação aberta entre os adultos e soluções que preservem vínculos e priorizem o desenvolvimento da criança.
Não. A abordagem prevê limites e diferencia autoridade de autoritarismo. Dizer “não” pode ser necessário para segurança, convivência e aprendizagem. O importante é manter a regra com respeito, oferecer explicações compatíveis com a idade e evitar ameaças ou punições violentas.
Créditos da imagem: Magnific
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